quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Música influencia o ritmo dos exercícios

A batida da canção pode acelerar ou diminuir o rendimento. Maratonas nos EUA consideram tocadores de música "dopping"




Músicas podem dar mais ânimo na hora dos exercícios, principalmente porque mexem com emoções. Como não se motivar ao som de Eye of the Tiger, tema do filme Rocky, o Lutador, lembrando da cena do ator Sylvester Stallone correndo pelas ruas da Filadélfia. Ou ainda como não se animar com a batida do hit Telephone, de Lady Gaga?
“Ao realizar exercícios ouvindo música sofremos alguns processos psicofisiológicos. Essas alterações são perceptíveis na frequência cardíaca, na motivação e no rendimento”, diz o professor de educação física Erivaldo Hildefonso Moreira, diretor técnico da Run For Win Assessoria Esportiva, de São Paulo.
Não é difícil perceber o quanto a música está associada à atividade física. Ao entrar em uma academia, clube ou outro espaço em que as pessoas estejam se exercitando nota-se a utilização dos aparelhos sonoros para estabelecer o ritmo do movimento, como entretenimento ou motivação.
O problema é que na sala de musculação de algumas academias compartilha-se a música em volume alto e nem todos apreciam o mesmo estilo. “Neste caso, o som pode se tornar desagradável, atrapalhando o desempenho da pessoa”, diz Erivaldo.
Foto: Arquivo pessoal
Jackeline Gense escolhe canções alegres para correr e fazer exercícios localizados
“Tanto na corrida de rua, quanto na academia, me animo e acelero os movimentos com uma música mais alegre”, afirma a estatística Jackeline Gense, de São Paulo. Quando está correndo e alguma música lenta "surge" em seu MP3, Jackeline não hesita em trocar a faixa. E quando precisa largar com motivação total, tem sua preferida: “É Dancing With Myself, do Billy Idol. Saio correndo forte e ‘troco’ o ‘dancing’ (dançar em inglês) por ‘running’ (correr em inglês)”, brinca.
Para os exercícios localizados, Jackeline também conta com o apoio sonoro. “Se não tiver música, a atividade torna-se muito monótona e não passo dos cinco minutos”.
Concentração
 
Em esportes coletivos — como basquete, vôlei ou futebol — os movimentos e gestos técnicos não acontecem de maneira repetitiva e são realizados de acordo com alterações no ambiente. Nesses casos, a música não favorece o desempenho. Mas as canções podem ajudar na motivação quando ouvidas antes.
Já em atividades como corrida, caminhada, musculação e ginástica localizada, que possuem a repetição mecânica como elemento principal, o som pode ser uma grande companhia. Uma das vantagens é que a atenção do individuo está focada em suas próprias sensações, driblando o cansaço e a dor. A técnica é conhecida pelos psicólogos como dissociação. “A música entra como um elemento capaz de direcionar a atenção a algo mais prazeroso”, argumenta o professor da Run For Win.
Apaixonado por ultramaratonas, o médico Gentil Jorge Alves Junior, de Ribeirão Preto, faz treinos de quatro a oito horas de duração e provas que podem chegar a dois dias.
“As músicas se transformam em aliadas para combater o tédio e aliviar o foco das dores em alguns momentos. As canções que têm maior apelo emocional funcionam como um catalisador das reservas de energia e me ajudam a melhorar a concentração e o desempenho”, diz. Ele conta que tem como estilo preferido o rock/pop, mas já correu ouvindo até sertanejo.
Certa vez, em uma maratona de 100 quilômetros, Gentil sentiu as energias se esgotarem no quilômetro 80. “Meu iPod havia deixado de funcionar. Por sorte, bem ali, voltou a pegar, tocando Wildest Dreams, da banda finlandesa Brother Firetribe, que eu gosto muito. Foi como uma descarga elétrica”, lembra. O contrário também já ocorreu. “Estava em uma prova de 10 quilômetros, mantendo ritmo abaixo de quatro minutos por quilômetro, ouvindo musica eletrônica. De repente tocou Marisa Monte. Foi como se tivessem puxado meu freio de mão. A performance caiu na hora”.
Foto: Arquivo pessoal
O militar Jorge Cerqueira ouve músicas nos estilos dance, psy e trance para encarar treinos longos
Aumente o som
Um estudo publicado no periódico Journal of Sport & Exercise Psycology, em 2009, demonstrou que a música certa pode fazer você correr mais e melhor. “O tempo passa mais rápido, você ganha ritmo, diminui sua percepção de cansaço e melhora o humor”, descreveu o pesquisador Costas Karageorghis. O desempenho dos indivíduos que foram avaliados na pesquisa aumentava quando o som obedecia a certas características, como batidas mais intensas e cadenciadas.
O ultramaratonista Jorge Cerqueira, militar da Força Aérea do Rio de Janeiro, tem mais 100 canções nos estilos dance, psy e trance em seu mp4.
“Arrumo as músicas na sequência em que quero que toquem, para não atrapalhar os treinos, que são longos e em ritmo forte”, diz. Ele conta que certa vez, quando estava quase desanimando em um treino, a salvação veio na batida de Darude, do Sandstorm.
A música é tão poderosa que alguns organizadores de provas a consideram uma espécie de “dopping”. A USA Track & Field, federação de atletismo americana, por exemplo, proíbe o uso de tocadores de música portáteis em suas corridas oficiais. A regra foi criada com o objetivo de garantir a segurança do evento e evitar que os corredores ganhem vantagem competitiva.
Para melhor ou pior
O auxiliar de dentista Majo Yslei Souza, de São Paulo, encontrou motivação e desânimo em uma mesma sessão de corrida com música. “Estava há sete quilômetros da minha casa e um pouco desanimado. Fui mudando as músicas no mp3 até que chegou Elevation, do U2. Naquele momento me empolguei e pensei até em aumentar o percurso. O problema foi que, antes mesmo de terminar a canção, acabou a bateria do aparelho. Desanimei totalmente e peguei um ônibus de volta para casa”, conta.
Quando você conhece bem seu corpo e sabe dosar a intensidade de exercícios, programar uma playlist com músicas energéticas pode ser bastante benéfico para dar um impulso no treino, sem o risco de se machucar. “Já iniciantes devem ter cuidado. Se por um lado as canções são motivantes, por outro existe o perigo de se entusiasmar demais e passar dos limites”, alerta o professor Erivaldo.
Como as músicas também levam a diferentes estados afetivos, as mais lentas podem provocar rendimento negativo. Foi o que aconteceu com o projetista de instalações elétricas André Luiz Panetto, de São Paulo.
“Não consegui montar a tempo uma playlist para uma prova de 10 quilômetros e corri ouvindo todas as músicas que estavam no meu celular, em modo aleatório. Em determinado momento tocou Easy, do Faith no More. Adoro a música, mas ao ouvi-la naquela hora meu ritmo caiu bastante. Sem perceber estava quase andando”.
Confira dicas para programar as músicas que podem ditar seu ritmo durante a atividade física.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Enxaqueca: seia hábitos que devemos evitar

Enxaqueca: Seis hábitos que você deve evitar para não piorar a dor

As causas são genéticas, mas os sintomas podem ser desencadeados pelo estilo de vida


A dor de cabeça parece que já faz parte do nosso dia a dia. São tantas as atividades, os problemas, o estresse e as cobranças que é inevitável sentir, ao final do dia, aquelas pontadas latejantes lá no fundo. Pior é quando essas dores passam a ser constantes e intensas. Aí vem aquela sensação de que a cabeça vai explodir, os olhos ficam sensíveis à luz e a qualidade de vida cai muito. O nome disso? Enxaqueca. 

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC), existem mais de 150 tipos de dor de cabeça. Dentre elas, a enxaqueca é, talvez, a que mais afeta a qualidade de vida dos pacientes. "A enxaqueca é muito mais que uma dor. Dá a sensação de que a cabeça está enorme, pulsando, martelando ou que o cérebro está sendo pressionado num ritmo enlouquecedor. Tudo passa a incomodar: a luz é uma tortura, os odores são um sacrifício, os sons transformam-se em ruídos ensurdecedores, o estômago revira e os vômitos são a consequência natural. Esse martírio pode durar dias, num vai e vem de intensidade maior e menor que impede a realização da maior parte das atividades do dia", explica a endocrinologista Ellen Simone Paiva, da Unifesp.  
dor de cabeça - foto: getty images
Segundo a SBC, cerca de 30 milhões de brasileiros sofrem com esse problema e, dentre esses, 75% são mulheres. "Muitas podem ser as causas da enxaqueca, desde problemas tensionais, normalmente associados aoestresse, até resultantes de tumores, aneurismas, medicamentos fortes e até ressaca", ensina a especialista. Uma pesquisa recente publicada na Nature Medicine descobriu que o DNA pode fazer umas pessoas serem mais propícias a ter enxaqueca do que outras. Tudo por conta da presença de um gene conhecido como Tresk, que faz com que fatores do ambiente ativem áreas do cérebro que controlam a dor, inativando-as. Os especialistas agora estão focados na formulação de um medicamento que ative essa área do cérebro.

Quem sofre com a dor insuportável sabe o quanto é difícil ficar simplesmente esperando que ela passe. Mas, para além dos vários tratamentos para o problema, existem alguns hábitos que quem quer se livrar de vez da enxaqueca, deve abandonar. Confira a lista abaixo:  
enxaqueca - foto: getty images
1. Abuso de analgésicos
Quem abusa de analgésicos para se livrar da dor, ou seja, toma mais de um comprimido por semana corre o risco de alimentar a própria dor. "O analgésico bloqueia todos os mecanismos de defesa natural para combate da dor de cabeça. O uso prolongado e indiscriminado desse tipo de medicamento faz com que o corpo fique dependente do medicamento", explica a neurologista Claudia Klein, especialista do Minha Vida.

Em outras palavras, o organismo fica viciado a tal ponto que passa a "produzir" a dor para que o analgésico precise agir. Além disso, o analgésico também impede a produção de serotonina, hormônio neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar e relaxamento, agravando a dor depois de certo tempo. "Muitas pessoas costumam tomar o analgésico ao menor sinal de dor e, assim, esquecem de tratar o problema. É preciso buscar tratamentos reais com medicação indicada o médico especialista", aconselha Claudia Klein.  
2. Má alimentação
De acordo com a neurologista, alguns alimentos devem ser evitados por quem sofre de enxaqueca, como, por exemplo, o aspartame, condimentados, leite e derivados, alimentos cítricos, chocolate e café. "Esses alimentos contêm substâncias que interagem com a bioquímica cerebral do organismo, alterando a ação de determinadas enzimas e diminuindo a quantidade de serotonina, hormônio ligado à enxaqueca", explica Claudia Klein. Além disso, a especialista afirma que pior do que o consumo desses alimentos, é ficar em jejum por tempo prolongado - mais de 4 horas sem comer - ou ter uma alimentação baseada em frituras e doces, por isso, ter um cardápio equilibrado e controlado é uma ótima medida preventiva.  
cigarro - foto getty images
3. Tabagismo
Que fumar é uma bomba para o organismo, todo mundo já sabe. A novidade é que, além de todos os males, a nicotina ainda é associada à alteração da circulação sanguínea e enrijecimento dos vasos sanguíneos, o que, segunda a neurologista Claudia Klein, também pode acabar provocando a enxaqueca.

Além disso, um recente estudo norueguês publicado pela revista médica Neurology avaliou 6 mil estudantes e descobriu que o tabagismo, associado ao sobrepeso e ao sedentarismo, triplica as chances de jovens desenvolverem enxaqueca. Os autores disseram não ter ficado claro se esses fatores do estilo de vida provocam a cefaleia ou se eles agem mais como desencadeadores em jovens já vulneráveis. Pelo sim, pelo não, é melhor prevenir e ficar longe do cigarro.  
4. Ser sedentário 
Um dos grandes males da população, os hábitos sedentários afetam em muitos aspectos a qualidade de vida. Além de contribuir para o surgimento de obesidade, hipertensão, diabetes e problemas cardíacos, o sedentarismo é uma porta aberta para a enxaqueca.

Uma pesquisa conduzida na Suécia demonstrou que pessoas que se envolvem em um programa de atividades aeróbicas apresentam queda significativa na frequência e intensidade das dores de cabeça crônicas e enxaqueca. O programa de treinamento aplicado na pesquisa consistia em treino de 40 minutos de bicicleta ergométrica praticada três vezes por semana.
"A pessoa que sofre de enxaqueca já tem uma produção baixa de serotonina, e os exercícios físicos estimulam a produção desse hormônio. Se a pessoa não fizer nenhum tipo de atividade que compense essa baixa, vai ser difícil reverter o quadro", explica a neurologista Claudia Klein. 
sedentarismo - foto: getty images
5. Consumir álcool 
Como a enxaqueca é um problema de origem vascular, cuja dor é provocada pela contração e dilatação dos vasos sanguíneos, o consumo de bebidas alcoólicas pode ser uma opção ruim para quem lida com o problema. A especialista Claudia Klein explica: "As bebidas alcoólicas quando ingeridas em excesso provocam dilatação dos vasos do corpo e do cérebro, o que acaba acentuando o incômodo da enxaqueca." 
6. Se render ao estresse
Tudo o que gera estresse e desequilíbrio para o organismo pode agravar a enxaqueca de quem já tem predisposição. Trabalho em excesso, ficar sem comer por muito tempo, nervosismo, insônia oudormir pouco, chateação e outros problemas emocionais podem ser uma porta aberta para a dor incômoda. Quem sofre com os dramas do estresse, deve procurar tratamento. Buscar métodos, como massagem e acupuntura, e dar mais valor ao momentos de lazer e relaxamento são atitudes importantes. "A acupuntura é bem eficiente, pois provoca microestímulos que ajudam o corpo a recuperar o equilíbrio de forma natural", garante a neurologista Claudia Klein.  

Alimentos polêmicos

Conheça o lado bom de alimentos polêmicos, como café e maionese

Consumir carne vermelha, ovos, chocolate e margarina também pode ser saudável


A lista negra dos alimentos que são os piores inimigos da saúde é extensa. Mas, segundo estudos científicos recentes, a má fama de alguns deles não só é exagerada, como injusta. O consumo de alguns desses alimentos, como o chocolate, café, ovos, maionese, margarina e carne vermelha, traz efeitos benéficos ao organismo, além disso, afirmam os especialistas, são essenciais para a manutenção da saúde.

"Antes de tirar alguns componentes do cardápio, é muito importante saber qual é o tipo metabólico de cada pessoa. Os resultados mudam conforme o organismo de cada um. Por isso, o que para alguns pode fazer bem, para outros pode ser prejudicial", diz o endocrinologista Wilson Rondó Jr, especialista em medicina ortomolecular, autor do livroFazendo as pazes com seu peso, da editora Gaia. 
Chocolate- Foto Getty Image
Chocolate 

Um estudo feito pela McMaster University, no Canadá, descobriu que o consumo controlado de chocolate pode ter ação benéfica para o sistema cardiovascular. De acordo com a pesquisa, pessoas que comiam regularmente cacau, tinham 22% menos chances de sofrer um derrame. "O chocolate age como anti-inflamatório, regula o sistema imunológico, afina o sangue e assim diminui as chances de doenças cardiovasculares", explica Wilson Rondó Jr.

Somado a isso, o chocolate ainda é rico em nutrientes que trazem muitos benefícios ao organismo. Entre eles estão os flavonoides, importantes antioxidantes que além de impedir a oxidação do colesterol, preserva outros antioxidantes como as vitaminas E a vitamina A.

 Para ser saudável, o consumo deve ficar restrito a três pequenas doses de chocolate com pelo menos 70% de cacau por semana. "Uma composição com mais leite e gordura e menos cacau pode trazer mais problemas do que benefícios. E não faz sentido comer uma barra de chocolate por dia, isso só traria problemas para o nosso corpo", explica o especialista. 
Café- Foto Getty Image
Café 

Segundo um estudo recente, feito pela Universidade do Sul da Flórida, nos Estados Unidos, a cafeína, substância encontrada no café, pode ser usada no tratamento da doença de Alzheimer, por diminuir a formação de placas amiloide tanto no cérebro quanto no sangue. Outro estudo norte-americano afirma que mulheres que tomavam quatro xícaras de café por dia tinham até 65% menos chances de ter derrames.

Além disso, a cafeína estimula o sistema nervoso, aumenta a sensação de bem-estar, tem efeito antioxidante, ajuda a combater a depressão e contém altos níveis de potássio, vitamina B e aminoácidos.

Mesmo com todos esses benefícios, é preciso tomar alguns cuidados na hora de bebercafé. "Os estudos mais atuais dizem que o ideal é não tomar mais do que quatro xícaras de café por dia. Uma quantidade maior do que essa pode aumentar o ritmo cardíaco, elevar a pressão arterial, elevar os níveis de colesterol, causar tremores e insônia", diz Rondó.

Outro cuidado apontado pelo especialista é fugir do café descafeinado, já que estudos mostram que ele aumenta em 10% os níveis de colesterol no sangue e em 18% o acúmulo de gordura na parede das artérias. 
Ovo 

Durante anos ele foi relegado ao posto de inimigo do peito em função dos níveis de colesterol que esse alimento possui, o que poderia causar uma série de complicações para o sistema cardiovascular. Mas um estudo feito pela Universidade de Minnesota demonstrou não haver relação entre o consumo regular de ovos e o aumento da incidência de doenças cardiovasculares, como infarto e derrame. "O consumo do colesterol contido nos ovos induz o corpo a produzir menos colesterol fabricado pelo próprio organismo. Nesse processo, há um equilíbrio que preserva o funcionamento saudável do corpo", explica Rondó.

A atenção ao consumo de ovos se deve principalmente ao seu modo de preparo. O ovo cozido e o pochê são as maneiras mais saudáveis de consumir esse alimento. Já prepará-lo frito ou mexido não é tão saudável. "Quando a gema entra em contato com o ar, o que acontece quando o ovo é frito ou mexido, há uma oxidação do colesterol. Esse processo torna a gordura dos ovos mais nociva à saúde", afirma o endocrinologista.

Colocar o ovo cozido na primeira refeição do dia três vezes por semana, uma fonte de proteína, é mais saudável do que consumir pão, fonte de carboidrato, em todos os cafés da manhã. Além da variação na alimentação, que é sempre importante para uma dieta, os ovos são alimentos energéticos que aumentam a sensação de bem-estar durante o dia inteiro. 
Com novos processos de fabricação, a maionese passou a ser mais saudável e a conter menos gorduras trans
Maionese

Segundo Rosana Perim, do Hospital do Coração de São Paulo, a maionese também pode fazer parte de uma dieta equilibrada. Com novos processos de fabricação, a maionese passou a ser mais saudável e a conter menos gorduras trans. Como é um alimento que possui gorduras importantes que contêm ômega 3, ela é uma aliada no combate ao colesterol ruim, o LDL.

Contudo, a maionese continua sendo muito calórica e gordurosa. Por isso, o seu consumo deve ser controlado e alguns cuidados precisam ser tomados. "A quantidade de gorduras continua alta, e como se trata de um produto de origem industrial, deve-se evitar comer uma quantidade grande durante a semana", explica Rondó.

A qualidade do produto também deve ser observada. Fique longe das maioneses das lanchonetes oferecidas sem rótulos e aquelas que não priorizam a redução de gorduras saturadas e calorias na receita.  
Margarina 

A margarina já teve seus altos e baixos no cardápio saudável. Ela surgiu como a opção mais saudável para substituir a manteiga, que contem altos níveis de gorduras saturadas e colesterol, mas depois foi para a lista negra da alimentação por ter gorduras trans de origem vegetal. Segundo a nutricionista Rosana Farah, da Unifesp, o consumo de margarina não está totalmente ligado a gorduras trans.

"Algumas versões saudáveis de margarinas , pobres em gordura saturada, ricas em gordura insaturada e sem gorduras do tipo trans são benéficas, desde que também sejam usadas com moderação (pois contém muitas calorias).", diz a nutricionista. No pão, essa versão é a mais apropriada. No entanto, na hora de preparar os alimentos, verifique se é possível substituí-la por azeite ou algum outro óleo vegetal líquido.
Outras pesquisas estão descobrindo o lado bom da margarina. Estudo recente da Universidade de São Paulo, realizado com pacientes de síndrome metabólica (doença que aumenta em até cinco vezes as chances de ataques cardíacos e derrames), sugere que o consumo moderado de manteiga ou margarina não aumenta o risco de se desenvolver doenças cardiovasculares. Até então, os médicos impunham pesadas restrições para os pacientes dessas doenças com relação ao consumo de margarina e manteiga.

Uma pesquisa conduzida pela Universidade Católica San Antonio de Murcia, na Espanha, concluiu que a margarina reduz os níveis de colesterol no organismo. Os ácidos graxos ômega 3 e ômega 6, gorduras essenciais que o corpo humano não produz, encontradas na margarina influenciam positivamente o balanço de colesterol no sangue, ela ajuda a manter a saúde cardiovascular e a reduzir o risco de doenças coronarianas e derrames.  
Carne vermelha 
Segundo o endocrinologista Wilson Rondó, mesmo tendo quantidades de gordura saturada, a carne vermelha ainda é um elemento que deve ser mantido na dieta. Ela é fonte de todos os aminoácidos essenciais ao corpo humano, além de ser rica em ferro, zinco, e vitaminas do complexo B, principalmente a vitamina B12 - indispensável para o funcionamento das células nervosas do corpo humano. "Por isso, a maioria das pessoas que não come nenhum tipo de alimento de origem animal, principalmente a carne vermelha, apresentam carência dessa vitamina em longo prazo se não tomarem suplementos vitamínicos", explica Rondó. 
Carne vermelha-Foto Getty Image
De acordo com o especialista, uma alimentação saudável é aquela que traz um equilíbrio entre os micronutrientes, ou seja, vitaminas e minerais, e os macronutrientes, como gorduras, proteínas e carboidratos. Fechar a boca para alimentos ricos no último grupo, como a carne vermelha, que tem fama de engordar, faz mal ao organismo.

Alguns estudos recentes, feitos na França, dizem que é possível enriquecer a carne e o leite bovinos com ômega 3, a partir de uma alimentação a base de linhaça, grão rico nessa gordura. O estudo também diz que o pasto é rico em ômega 3, e quando os animais são criados em campos, o seu leite e sua carne ficam mais nutritivos.